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quinta-feira, 18 de julho de 2013

Trabalho de Conclusão de Curso


UNIVERSIDADE ANHANGUERA - UNIDERP

Centro de Educação a Distância

Pedagogia

 
 STEPHÂNIA SILVEIRA PEREIRA FARIA

 
A CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO DO ALUNO ALFABETIZANDO E O PAPEL DO PROFESSOR NESSE PROCESSO

 

 Anápolis - GO
2013

 
 
SUMÁRIO 

RESUMO
INTRODUÇÃO
A CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO DO ALUNO ALFABETIZANDO
E O PAPEL DO PROFESSOR NESSE PROCESSO
1- COMO A CRIANÇA APRENDE
2- CONTRIBUIÇÕES E METODOLOGIAS PARA  A ALFABETIZAÇÃO
3- O PAPEL DO PROFESSOR
CONSIDERAÇÕES FINAIS
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

 
RESUMO
 

O presente artigo é uma revisão bibliográfica, no qual teve como material de pesquisa sites da internet e livros, com o objetivo de entender melhor a amplitude da temática “construção do conhecimento”, através dos sistemáticos e importantes estudos de Piaget, Ferreiro e Teberosky, para entender na prática como se desenvolve o conhecimento do aluno alfabetizando e o papel do professor nesse relevante processo do desenvolvimento.

Palavras-chave: Construção. Conhecimento. Alfabetizando. Desenvolvimento.

 
ABSTRACT 

This article is a literature review, which had as research material internet sites and books, in order to better understand the breadth of the subject "construction of knowledge" through systematic and important studies of Piaget, Blacksmith and Teberosky, in practice to understand how to develop the student's knowledge and literate teacher's role in this important development process.

Keywords: Construction. Knowledge. Alfabetizando. Development.

 

 INTRODUÇÃO 

O tema abordado neste artigo tem a finalidade de esclarecer o processo pelo qual a criança aprende e como o professor pode contribuir para facilitar a construção do conhecimento do aluno nos anos iniciais do ensino fundamental I.
Há um vasto campo teórico que trata sobre a construção do conhecimento na alfabetização, mas, apesar disso, os professores tem um entendimento superficial sobre tal assunto, deixando de contribuir efetivamente para o aprendizado da criança. Por isso, é preciso enfatizar, ainda mais, a importância de se compreender como a criança aprende e como o professor pode contribuir para facilitar a construção do conhecimento do aluno.
Com base nestes apontamentos o trabalho está dividido em três partes, sendo que cada uma está ligada à outra com o objetivo de entender e melhorar o aprendizado do aluno.
Na primeira parte, tem-se o esclarecimento de como a criança aprende, baseado nos estudos de Piaget, que traz os períodos de desenvolvimento da criança, explicando cada um conforme a idade em que esta se encontra.
Na segunda parte são apresentadas as contribuições e metodologias para a alfabetização com base nas pesquisas de Ferreiro e Teberosky, onde a prática pedagógica deve agir de forma com que a criança busque o seu conhecimento sobre o que ela vive e vê, vivenciando situações em sala de aula, que representem o real, ou seja, a realidade que a cerca.
Já na terceira parte, finaliza-se com o papel do professor na construção do conhecimento do aluno, buscando atitudes positivas que o professor pode incorporar para ajudar o aluno a superar suas dificuldades e progredir melhor no seu desenvolvimento.
Enfim, será exposto, além das pesquisas realizadas por estes autores renomados, reflexões acerca dos apontamentos levantados, a fim de contribuir, ainda mais, com o bom desenvolvimento do trabalho.

 
Como a criança aprende
 
                   A aprendizagem infantil é um processo complexo que depende muito do próprio indivíduo, que deve agir como um ser ativo, capaz de pensar em seu próprio conhecimento e o conhecimento que será construindo nesse período de grandes descobertas.
O aluno do ensino fundamental passa por constantes experiências que marcam profundamente a sua história escolar. Já no 1º ano começa a escrever as primeiras letras, palavras e, na maioria das vezes, sai sabendo ler pequenos textos. A partir daí já se tem uma noção da transformação que passa a cognição dessa criança. Em menos de um ano, a criança que nem sabia escrever evolui a uma leitura capaz de entender frases e textos.
Para que essa construção do conhecimento se concretize e evolua como o esperado, é preciso ficar atento como esse conhecimento acontece e se instala em cada sujeito. Para isso, Piaget formulou, em anos de experiências, como se dá a construção do conhecimento, desde que o individuo nasce, entendendo detalhadamente cada período em que passa a criança. Neste trabalho será explicitado melhor a fase em que a criança está no ensino fundamental, entre os seis anos e os dozes anos de idade.
Devido a contribuição de Jean Piajet para a pedagogia sobre o estágio adequado para ensinar determinados conteúdos é imprescindível sua citação neste trabalho para que seja respeitado as possibilidades mentais das crianças, afim de obter sucesso na construção do conhecimento infantil.
Piaget apresenta quatro períodos ou estágios caracterizando o que a criança aprende e faz melhor em cada idade: 

·         1º período: Sensório-motor (0 a 2 anos):

A criança nesta fase de desenvolvimento está centrada em si mesma, como se o mundo fosse a continuação do próprio corpo.
Ao longo desta fase a criança passa por importantes mudanças, tanto em relação ao desenvolvimento físico, com o aperfeiçoamento de hábitos motores, quanto ao desenvolvimento cognitivo, com o aprimoramento da inteligência que a permite ver o mundo, onde há outras pessoas presentes junto consigo.
A criança neste período utiliza-se a inteligência prática, envolvendo as percepções e os movimentos para conseguir o que quer, adquirindo novas habilidades. Toda essa evolução proporcionará à criança um domínio cada vez maior do ambiente, agindo, gradativamente, de forma ativa e participativa.

·         2º período: pré-operatório (2 a 7 anos):

Este é um período extremamente relevante para nortear as conclusões deste trabalho, que visa entender o aprender no ensino fundamental I.
A criança entra nesta fase escolar por volta dos 06 anos de idade, por isso é importante compreender o que ela já sabe antes de ingressar no 1º ano do ensino fundamental, para entender como intervir para melhorar ainda mais sua aprendizagem.
Este período é caracterizado pelo aparecimento da linguagem que traz, à criança, modificações nos seus aspectos afetivo, intelectual e social, que lhe permite interagir e comunicar com outras pessoas e ainda antecipar suas ações futuras.
Com a linguagem, aparece também o desenvolvimento acelerado do pensamento, mas este se encontra dependente do outro e do real, que é transformado conforme os desejos e as fantasias da criança (função simbólica).
Para esclarecer melhor a função simbólica, será citado o trabalho de Haydt (2006, p.41) em seu livro Curso de Didática Geral, onde mostra que a 

função simbólica ou semiótica é aquela que possibilita a evocação representativa do objeto ou acontecimento ausente. A função simbólica é importante para o desenvolvimento infantil porque, à medida que possibilita interiorização da ação, serve de base para a formação e organização das operações intelectuais concretas, contribuindo para a passagem da ação à operação, que vai ocorrer na fase seguinte. Por outro lado, possibilita também a utilização dos signos convencionais da linguagem, permitindo que a criança tenha acesso às formas de comunicação. Graças à linguagem, que surge nesta fase, a criança é capaz de reconstituir suas ações passadas sob a forma de narrativas e de antecipar suas ações futuras pela representação verbal. 

A função simbólica atua na criança pela sua capacidade de imitar, a formação da imagem mental, a representação gráfica dos objetos e acontecimentos, etc. Além disso, a criança ainda está centrada nas suas ações e por isso se situa no mundo como sendo o ser central, onde tudo deve satisfazer apenas as suas necessidades e desejos.
Essa fase é chamada de egocentrismo que vai sendo minimizado ao longo do período pré-operatório. Piaget, citado por Haydt (2006, p.42), “define o egocentrismo como um estado de não diferenciação entre o sujeito e o mundo exterior, que produz a centração na ação do momento”. Mas, já que no final deste período, o egocentrismo deixa de ser tão marcante, a criança se descentraliza permitindo a evolução dos sistemas operatórios e, ainda deixa o jogo simbólico para uma fase de jogos de construção de regras, onde se utilizam de pensamentos mais objetivos e de atitudes socializadas, tornando possível as tentativas de trabalho em grupo.
Em relação à afetividade, a criança desenvolve simpatias, antipatias, afeições e respeito por quem convive com ela. O respeito surge aos indivíduos que se julgam superiores a essa criança, principalmente os pais e os professores, que são figuras de inspiração.
Ao saber de todas essas características infantis do período pré-operatório, fica clara a intervenção do professor, para que ajude o aluno na construção do seu próprio conhecimento. Haydt (2006, p.43) informa que “Piaget sugere aos educadores que proporcionem às crianças atividades que estimulem os sentidos e motricidade, a capacidade de observação, a expressão, artística e a convivência grupal, além de propiciar condições para a prática do jogo simbólico”.
 

·         3° período: Operações concretas (7 a 11 ou 12 anos):

  Este período marca a fase em que a criança se encontra no ensino fundamental I (1° ao 5° ano). Isto significa que é preciso ficar atento a todos os aspectos relacionados à construção do conhecimento, para que o aluno conclua essa fase com maior desenvolvimento cognitivo, para então encarar o ensino fundamental II (6° ao 9° ano) com uma boa estrutura de aprendizagem e conhecimento.
Este período, portanto, é o ponto chave para a elaboração deste trabalho, que trata da construção do conhecimento do aluno de 1° ao 5° ano, onde ele se prepara na alfabetização, nas primeiras operações matemáticas e nos conceitos relacionados às outras áreas de conhecimento.
O período das operações concretas é caracterizado pela formação das operações formais, onde a criança interioriza suas ações mentais, construindo uma lógica e coordenando pontos de vista diferentes, sendo capaz, assim, de cooperar com os outros, de trabalhar em grupo e agir de forma mais autônoma.
Tudo isso é adquirido, progressivamente, ao longo do período das operações concretas, até que a criança seja capaz de desenvolver valores morais, como o respeito mútuo, a honestidade, a justiça e a cooperação.
A criança já consegue ter uma noção de conservação de peso, comprimento e quantidade no início do período, e, ao seu final a noção de conservação de volume.
Segundo Bock (2008, p.104) em relação ao pensamento da criança deste período, ela já é capaz de

estabelecer corretamente as relações de causa e efeito e de meio e fim; sequenciar ideias ou eventos; trabalhar com ideias sob dois pontos de vista, simultaneamente; formar o conceito de número (no inicio do período, sua noção de número está vinculado a uma correspondência com o objetivo concreto). 

Em relação às suas atitudes, as crianças tendem em pensar antes de agir, refletindo sobre as suas ações, ao invés de resolver conflitos com condutas impulsivas. Isso faz com que ela seja capaz de se concentrar e manter uma boa convivência com outras pessoas. Além disso, a criança passa a ter interesse pelos jogos com regras, respeitando o outro.
Haydt (2006, p.46) sugere para esse período algumas diretrizes que vão ajudar no trabalho escolar, a fim de contribuir para a construção do conhecimento do aluno: 

1- As atividades de construção do conhecimento devem estar ligadas à manipulação de objetos, à observação da realidade, à pesquisa e à vivência das situações. Deve ser dada à criança a oportunidade de observar e de agir sobre os objetos, manipulando-os e transformando-os. Nesta fase, a concretização é essencial na aprendizagem e facilita a aquisição do conhecimento, ajudando também no desenvolvimento das estruturas cognitivas. Quando as operações são executadas diretamente sobre os objetos, através da manipulação de objetos reais, a criança não apenas descobre informações sobre as coisas e os fenômenos, adquirindo conhecimentos, como também amplia e aperfeiçoa sua capacidade operatória.
2- O trabalho didático deve organizar-se a partir de situações-problema, que constituam um estímulo ao raciocínio do aluno e um desafio a sua capacidade de pesquisa e descoberta. 

·         4° período: Operações formais (11 ou 12 anos em diante):

Esse período é caracterizado pelos seguintes aspectos:
o   Surgem as operações intelectuais e abstratas;
o   Progressivamente liberta-se do concreto;
o    Raciocínio a partir de hipóteses;
o    Faz e desfaz mentalmente uma ação;
o    Tendência em fugir da realidade;
o    Organização dos valores;
o   Desenvolvimento da cooperação e sociabilidade;
o   Lida com conceitos de liberdade e justiça;
o   Cria teorias sobre o mundo;
o   Tem no grupo de amigos um referencial para o comportamento e atitudes.

Todos esses aspectos são decisivos para a convivência na sociedade, quando chegar à vida adulta. Se bem desenvolvido o adolescente terá um equilíbrio entre o real e os ideais de ação e transformação.
Para isso o aluno deve ser estimulado com pesquisas, experimentos, problemas e trabalho em grupo, para que cada um dê sua opinião e criem suas próprias hipóteses.
Diante de todo esse processo em que passa a criança até chegar à vida adulta, fica clara a importância de uma intervenção adequada para o bom desenvolvimento do aluno em relação à convivência na sociedade. 

 

Contribuições e metodologias para alfabetização

Para nortear esta etapa do trabalho serão consideradas as pesquisas de Emilia Ferreiro e Ana Teberosky, que se baseiam nos estudos de Jean Piaget. Para ele o sujeito constrói o seu conhecimento ativamente, compreendendo o meio em que vive através de suas ações sobre ele. Por isso, no desenvolvimento de uma metodologia que favoreça a construção do conhecimento do aluno é necessário colocá-lo no centro do processo de aprendizagem, deixando-o reconstruir e antecipar seus próprios conceitos.
Então antes de abordar com mais detalhe essa metodologia é preciso recordar o que dizem, Ferreiro e Teberosky (1999, p.31), sobre o método de ensino, pois ele pode “ajudar ou frear, facilitar ou dificultar; porém não pode criar aprendizagem. A obtenção de conhecimento é um resultado da própria atividade do sujeito.” Assim , a partir disso, a metodologia deve sempre permitir que o aluno busque o seu próprio conhecimento, interagindo com o objeto desse conhecimento.
Para entender melhor como ocorre a evolução do conhecimento infantil, principalmente, da criança dos anos iniciais do ensino fundamental é imprescindível que a metodologia se atente às transformações do pensamento infantil.
Ferreiro e Teberosky começam a analisar essa evolução no livro Psicogênese da Língua Escrita, em crianças acima de 4 anos mostrando como elas reconhecem se um texto serve ou não para ler. Mesmo não sabendo ler elas usam vários critérios para a classificação dos textos, ou pequenos cartões que variam em letras cursivas, de imprensa e números.
Os dados obtidos com a análise mostram que a maioria das crianças exigem pelo menos três letras para que possa ler algo e que essas letras não podem ser repetidas. Algumas crianças confundem a letra de imprensa com os números e ainda pensam ser três letras, a letra “m” cursiva, aumentando o número de letras nos cartões. Embora persistem algumas confusões e formas de classificação inadequada para um adulto, todas as crianças apresentam um conhecimento prévio para a leitura, devido o contato informal com diferentes tipos de texto, principalmente na paisagem urbana.
Neste aspecto, ganha destaque a teoria de Piaget, que enfoca a importância do meio para o desenvolvimento da criança. Se uma criança tem contato frequente com a escrita e a leitura, maior facilidade terá para entender qualquer material gráfico apresentado a ela.
Continuando com as pesquisas das autoras, elas analisam a escrita das crianças, percebendo que estas fazem diversas palavras, utilizando as mesmas letras, só que em ordem diferente, como se descobrissem as possibilidades combinatórias para ordenar e classificar tais palavras, comuns ao seu cotidiano. Para essas crianças, segundo Ferreira e Teberosky (1999, p.204) “descobrir que duas ordens diferentes dos mesmos elementos possam dar lugar a duas totalidades diferentes é uma descoberta que terá enormes consequências para o desenvolvimento cognitivo nos mais variados domínios em que se exerça a atividade de pensar”.
Porém, a constante insistência da família e da própria escola em querer que a criança aprenda por meios de cópias, pode desenvolver nessa criança uma dependência maior do adulto e diminuir suas possibilidades criativas. Assim, é preciso deixa que a criança descubra a escrita sem a presença de modelos, para que ela utilize suas próprias possibilidades gráficas.
Essa consequência cognitiva em relação à escrita vale também às outras áreas do conhecimento, que serão maior aprofundadas quando a leitura e a escrita estiverem mais desenvolvidas na criança. O sucesso nas diversas áreas do conhecimento dependerá exclusivamente das possibilidades inventivas da criança ainda nos primeiros anos do ensino fundamental, onde ela pode desenvolver uma base solida de aprendizagem.
Em análises realizadas por Emilia Ferreira em seu livro Reflexões sobre Alfabetização é possível constatar a diferença notável de ensino-aprendizagem através de codificação ou representação durante o processo de ensinar e aprender na escola.
A utilização de métodos baseados apenas na codificação dos conteúdos não possibilita à criança compreender o que tem por detrás desse simples código, levando-a a uma aquisição técnica do conteúdo. Ao contrário disso, se o professor trabalha com um sistema de representação, a aprendizagem ganha um significado e começa a ter sentido.
Entendendo melhor esse sistema de representação, que Ferreiro (2010, p16e17) relata em seu livro, tem-se que: 

a invenção da escrita foi um processo histórico de um sistema de representação, não um processo de codificação. Uma vez construído, poder-se-ia pensar que o sistema de representação é aprendido pelos novos usuários como um sistema de codificação. Entretanto, não é assim. [...] não se trata de que as crianças reinventem as letras nem os números, mas que, para poder se servir desses elementos como elementos de um sistema, devem compreender seu processo de construção e suas regras de produção [...]. 

Concluindo com as análises das pesquisas tanto de Ferreiro em seu livro “Reflexões sobre Alfabetização” e de Ferreiro e Teberosky em “Psicogênese da Língua Escrita”, chega-se ao foco principal da metodologia. O professor precisa entender que o importante não é o a busca por um método que norteie seu fazer pedagógico, mas agir de forma com que a criança busque o seu conhecimento sobre o que ela vive e vê, vivenciando situações em sala de aula, que representem o real, ou seja, a realidade que a cerca, mesmo que, para isso ele precise articular métodos que ajude nessa questão.
                   

O papel do professor 

Até aqui foi exposto uma série de períodos e metodologias em que o professor deve ficar atento para poder intervir de forma adequada conforme a idade da criança. Mas para que possa compreender melhor como se dá a construção do conhecimento em todas as disciplinas, já que o professor do ensino fundamental I aplica todas, é necessário, além do que já foi mostrado, entender que cada aluno tem seu jeito próprio de aprender, isto é, cada um constrói seu conhecimento de maneira diferente do seu colega. Daí o grande desafio do professor.
O trabalho pedagógico nesse sentido visa entender o pensamento de cada aluno, para poder desenvolver melhor o ensino-aprendizagem na sala de aula. Esse processo de interação entre professor e aluno, consiste em, primeiramente, identificar o que a criança já sabe, para então fazer a mediação necessária para que seu aluno evolua para os outros níveis escolares com maior conhecimento.
Isto mostra, claramente, que o conhecimento teórico é relevante para a prática pedagógica, pois o professor precisa saber planejar e criar situações de aprendizagem que leve a criança um conhecimento consistente e, isso só será possível se o profissional pedagogo tiver ciente de seu dever perante a sociedade e comprometido em dominar o conteúdo acadêmico, além das outras áreas de conhecimento que envolve seu trabalho como professor.
Para esclarecer melhor esse assunto Soares (2010, p,44) explique que 

esse professor mediador deverá ter consciência de que seu papel não está não está limitado a “dar lições e a corrigir erros”. Ele estará atento à possibilidade da criança de assimilar ou não uma informação, de compreender ou não a correção de um “erro”. Saberá, assim, distinguir o momento e a circunstância em que é mais eficaz intervir no processo a partir de uma problematização, de um questionamento, pela oferta de uma nova experiência ou, ainda pela permissão de uma nova exploração de possibilidades de desempenho. 

Outro aspecto fundamental para a aprendizagem infantil é proporcionar um ambiente onde a criança desperte o gosto pela aprendizagem, tanto em relação ao ambiente concreto, quanto às atitudes dos profissionais da educação, principalmente o professor. Este deve estimular a criança, deixando transparecer que ela é capaz de aprender e progredir. Um exemplo é a leitura, pois o professor que lê constantemente pode despertar no aluno o gosto pela leitura. O aluno precisa perceber que pessoas a sua volta se encantam pelos livros, daí o aluno entenderá que isso não é uma necessidade exigida pela escola, mas acima de tudo, um caminho para o entretenimento e conhecimento.
Cada aluno, com sua especificidade, tem ideias, experiências e o tempo de aprendizagem diferente do outro, mostrando o que é preciso analisar cada situação, cada resultado que o aluno pode obter. De acordo com Piaget as crianças passam por períodos de desenvolvimento definidos pela idade em que a criança se encontra, mas como cada um pensa, age e participa de situações socialmente diferentes, é preciso entender que essa classificação pode variar e, em alguns casos as crianças podem demorar mais para completar e entrar no período correspondente à sua idade.
Para entender melhor o trabalho de Piaget, será tratado aqui como se processa a fase em que a criança passa de um período para o outro, onde ocorrem as mudanças mais significativas, em que a criança busca um novo equilíbrio para satisfazer suas novas necessidades.
A fim de compreender melhor todo esse processo que envolve a teoria de Piaget, será citado o texto de Soares (2010, p.11e12) para entender como se dá a aprendizagem. 

Segundo a teoria piagetiana, a constante interação entre o individuo e o mundo exterior é o processo pela qual se dá o desenvolvimento intelectual humano. A interação leva a uma oscilação contínua entre equilíbrio e desequilíbrio. Quando o equilíbrio se restabelece, tem-se uma adaptação.
A adaptação é, dessa forma, constituída por dois processos deferentes, porém indissociáveis: assimilação e acomodação. [...] Quando há a incorporação dos elementos do mundo às estruturas de conhecimento, pode-se dizer que houve assimilação. No entanto, pode acontecer que alguns objetos não se encaixam nas estruturas cognitivas em desenvolvimento. Ele terá, então, que ajustar sobre suas estruturas, modificando-as, ou mesmo criando outras, até que aconteça a acomodação. 

Levando em conta todos os aspectos ligados à aprendizagem fica mais fácil uma intervenção pedagógica consistente e positiva, partindo dos erros e acertos para propor avanços e elaborar atividades que contribuam para o processo criativo e ativo da criança.
Todo esse processo fará parte do sujeito no decorrer do seu desenvolvimento, entendendo o mundo de diversas formas a cada momento.
Para Haydt (2006, p.48), ”dos estudos de Piaget podemos inferir alguns pressupostos pedagógicos” para nortear o trabalho do professor em sala de aula:

·         Conhecer cada período de desenvolvimento dando oportunidade para as expressões naturais do aluno;
·         Problematizar as atividades da sala de aula, para estimular a reflexão e o sentimento de descoberta própria do aluno desafiado;
·         Propor atividades que estimulem o pensamento para ampliar a inteligência. Isso se concretizará através de atividades que envolvam experimentos, pesquisas, trabalho em grupo e interação direta com o real;
·         Oportunizar a manipulação direta de objetos concretos, principalmente na contagem matemática;
·         Disponibilizar em alguns momentos os jogos para melhorar a concentração e o entusiasmo dos alunos, além de ser propício à atividade de cooperação entre os envolvidos e um excelente meio de se desenvolver moralmente e socialmente;
·         Estimular a interação verbal entre os alunos, mantendo bom convívio com o grupo, desenvolvendo suas estruturas cognitivas;
·         Ouvir as opiniões dos alunos para poder ajudá-los se necessário.

A partir disso fica claro que uma intervenção adequada pode ser o caminho para o bom desenvolvimento do aluno, contribuindo para o seu sucesso dentro e fora do ambiente escolar, em aspectos que envolvam um pensamento autônomo, crítico e criativo.
 
CONSIDERAÇÕES FINAIS 

Percebe-se que o tema aqui abordado é bastante amplo, por isso se encontra dificuldades em trilhar um único caminho. Porém, leva a entender que existem várias possibilidades de se compreender os meios que podem ajudar o aluno a se desenvolver melhor.
 O primeiro passo, para querer melhorar o ensino e a aprendizagem, é ver o aluno como um sujeito ativo e pensante que constrói o seu conhecimento, compreendendo e agindo no mundo que o cerca.
Isso faz concluir que, analisar como se processa a construção do conhecimento do aluno, leva o professor a entender o seu papel como agente facilitador desse processo, utilizando-se de metodologias que promovam, ainda mais, o desenvolvimento desse aluno.

 
BIBLIOGRAFIA 

ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. Filosofia da Educação. 3. ed. rev. e ampl. São Paulo: Moderna, 2006 (p. 278 e 279). 

_______. História da Educação e da Pedagogia. 3. ed. rev. e ampl. São Paulo: Moderna, 2006 (p. 276 e 277). 

BOCK, Ana Mercês Bahia. Psicologias: uma introdução ao estudo de Psicologia. Ana Mercês Bahia; Odair Furtado; Maria de Lourdes Trassi Teixeira. São Paulo: Saraiva, 2008. 

FERRACIOLE, Laércio. Aspectos da Construção do Conhecimento e da Aprendizagem na Obra de Piaget. V. 16, nº 2, p. 180-194, ago. 1999. Disponível em: //http://www.fsc. ufsc.br/cbef/port/16-2/artpdf/a5.pdf//. Acesso em: 15 abr. 2013. 

FERREIRO, Emília. Reflexões sobre Alfabetização. 25. Ed. São Paulo: Cortez, 2010. 

FERREIRO, Emília; TEBEROSKY, Ana. Psicogênese da Língua Escrita. Porto alegre: Artes Médicas Sul, 1999.
 
HAYDT, Regina Célia Cazaux. Curso de Didática Geral. 8. ed. São Paulo: Ática, 2006. 

SOARES, Maria Inês Bizzotto. Alfabetização Linguística: da teoria á prática. Maria Inês Bizzotto Soares; Maria Luisa Aroeira; Amélia Porto. Belo Horizonte: Dimensão, 2010. 

 

 

 

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